O fim,coisa desgastante,irritante é o fim, visto que ele nunca acontece.Me irrita saber que mesmo depois de tudo,o fim não existe.Matamos o material,matamos o paupável,mas o que está dentro de nós continua infinitamente como uma tortura medieval,repuxando braços e pernas, fios de cabelo.O mais irritante do fim,é não existir fim de verdade( as famosas reticências)coisa contra a qual eu indefinidamente nao sei lutar.
Um dia eu tinha uma história pra terminar,criei n's fins,mas nunca cheguei ao final,por causa das reticências.Então desisti do fim,parei e fiquei sem norte,seca ,triste.Eu precisava terminar a história.A luta pelo final era como a água que regava a terra do meu ser,já tão árido.Até que um dia eu vi o sonho de um amigo literalmente acabar,vi seu choro de desespero, sua impotência,seu abandono,o nada que se tornou a vida daquela pessoa tão querida.Assim como não gosto dos finais,também não gosto de chorar,chorei.Chorei pelo meu amigo querido,chorei por mim mesma,chorei pelas histórias sem fim que acontecem sem que possamos intervir.Essas histórias não são como a do Peter Pan,não ofuscam uma realidade,ao contrário são tão reais que dariam um quadro,são paupáveis,mas não morrem.São histórias de sacrifícios,de decisões e perdas onde todas as opções foram esgotadas,pintadas por uma mão invisível,e muitas vezes cruel, chamada destino.Descobri que ela (a mão do destino)decidiu que minha história é sem fim , porque se eu chegar ao final,torno-me deserto,torno-me infértil,torno-me um ser linear.Mas o que fazer com minha vontade de acabar com a minha história?É a senhora mão do destino,contra o que eu poderia chamar de senhorita razão,que se enfretam todos os dias dentro de mim,prolongando assim as audaciosas reticências.Não tenho medo,nem remorsos,queria fazer a eutanásia da minha história,descobri,não tenho mesmo é coragem e isso me doeu mais do que se fosse o própio fim.
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